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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Entre Lá e Cá ainda fico Eu.

Essa noite não dormi quase nada:

Está aberta a contagem regressiva para atravessar o Atlântico mais uma vez! No próximo dia 11 volto para a Alemanha depois de três meses no Brasil.
 Eu não sei se outras pessoas passam por isso também, mas estes momentos de idas e vindas me fundem a cuca! Ainda mais que desta última vez estava desde maio de 2009 sem ver a terrinha, ou seja, 18 meses!
(Estava morrendo de saudade, quase enlouquecendo de saudade, tanto que fiz questão de vir pra ficar o máximo de tempo que eu podesse!) Uma semana antes da data embarque para o Brasil tive insônias regulares, muita ansiedade, frio na barriga, insegurança. Minha cabeça repetia a mesma pergunta: será que o Brasil para mim virara um sonho que não corresponde à realidade?  Porque depois de muito tempo sem voltar, a imagem do Brasil que vinha á minha cabeça era de um paraíso tropical, cheio de sol, mar, cores, samba, árvores imensas e pessoas alegres. Me sentia uma estrangeira que havia visto o Brasil numa revista de turismo!
E eu embarquei com a imagem do paraíso tropical, parecendo um zumbi, com olheiras enormes e muita ansiedade. Cheguei me sentindo um zumbi-precisando-comer-miolos.  Não encontrei o paraíso tropical, encontrei o interior de São Paulo, que aliás está muito bonitinho. Não me decepcionei, mas percebi que eu havia esquecido meu passado! Alguns dias na casa da minha mãe e eu tive muitas viagens de volta no tempo! Sabe quando vc liga a memória externa no computador e demora um tempinho para abrir os arquivos porque fica passando aquela lanterninha revisando todo o conteúdo que está guardado lá dentro? Me senti exatamente assim. Eu passei vários dias com muito sono e cansaço, dores-de-barriga por causa da comida diferente, cansaço por causa das informações novas, da sensação corporal diferente,da confusão mental por causa da nova cultura e readaptação á língua, assistir televisão era tão estranho!  Até que de-repente voltei a ter energia e coragem para sair para o novo mundo.
Me senti um pouco estrangeira. Parecia que as pessoas me olhavam. (Talvez porque na Alemanha as pessoas não se olham tanto como aqui!) Algumas depois tive uma forte gripe e minha cabeça não deixou de ficar registrando as diferenças no clima, no jeito das  pessoas, nas ruas, no modo de vida. Uma mistura de deslumbre e tristeza, porque aos meus olhos o que é belo, fica ofuscantemente belo e o que é feio, fica nauseamente feio.
Estava muito feliz de estar aqui mas de-repente batia uma dor no peito, uma falta de lá!
E eu percebi que passei a ter dois mundos que eu não consigo juntar e não posso viver ao mesmo tempo! Se estou lá sinto falta daqui, se estou aqui sinto falta de lá! Me sinto vivendo uma vida de metades. Metades de amigos, metades de famílias, metades de trabalhos. Em boa parte do tempo não consigo estar num dos dois lados por inteiro, está sempre faltando um pedaço. O pedaço no qual eu vivo e o outro que vive sem mim.  Independente da minha saudade e distância as pessoas tocam suas vidas, casam, descasam, têm filhos, prosperam, fazem novos cursos, novos trabalhos, conhecem novas pessoas. Prédios novos continuam sendo erguidos, estradas são abertas, aparecem novos artistas, novas modas, novas bordões. No momento o Brasil tem sido o que passa mais tempo vivendo sem mim, isso me assusta um pouco... Aliás aos poucos noto que se antes eu falava co milhes de pessoas por aqui, hoje são apenas dezenas, será que um dia serei esquecida?

 
Lá eu sou mais só, mas me sinto mais forte e capaz. Normalmente tenho muito ânimo para vencer as dificuldades de viver naquele contexto, cada dia é um desafio, me sinto desbravadora e única. Mas será que vou conseguir ficar lá pra sempre e passar da fase de vencer pequenas dificuldades para realmente atingir grandes objetivos? Será que estar lá JÁ É atingir grandes objetivos?
Aqui eu não estou só, mas me sinto mais vunerável, ao mesmo tempo vejo um futuro promissor, que só precisa da minha dedicação pra acontecer. Mas eu não me dedico! Eu não fico aqui tempo suficiente para algo se construir. Será que voltando um dia eu terei de recomeçar do zero? Será que o futuro promisso ainda será atingível, será tarde mais para chegar a ele? Ou será que voltando o caminho que fiz lá será considerado aqui?
Estas perguntas martelam na minha cabeça todos os dias... se eu nunca tivesse ido, nunca teria de pensar em voltar ou ficar, mas eu fui. Para me tranquilizar ás vezes eu penso que o melhor é não especular muito e sim ir fazendo o que  minha intuição diz. E assim como minha intuição tempos atrás disse "Vá!" e agora ainda diz: "Fique!", eu confio que um dia ela dirá :"Volte!" ou "Não volte mais!".  E eu voltarei ou não e o destino se cumprirá inevitavelmente, seja ele qual for. E possivelmente ele será o que eu um dia intuí, porque prefiro acreditar que só intuímos o que o nosso íntimo já sabe que é possível e o melhor para nós. Ou seja, só existem escolhas certas!
Depois de algumas semanas chegou a fase de adaptação, parei de comparar, comecei a dançar conforme a música. Especialmente agora, estando aqui no Brasil há três meses, e minha cabeça já está começando a querer trabalhar e planejar o futuro, parece que nunca saí daqui, que o tempo parou e preciso recomeçar de onde eu estava... Mas onde eu estava na prática não existe mais. E eu me sinto confusa... será que o outro mundo é um sonho?  Daí falta uma semana para pegar o avião....
Daí me questiono se devo ir, sei que vou ficar confusa de novo.... mas claro que quero ir, por que não iria? Ir pra onde? Pra lá ou pra cá? Pra onde estão minhas coisas, meu trabalho ou pra onde estão minhas raízes, minhas memórias, meus amores?
Mas onde estão meus amores?
Oh, vida!

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