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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Resposta ao comentário da Nina

Tudo ficará bem no final. Se não ficar bem, ainda não é o final.

   Nina postou um comentário para o meu último post, com perguntas muito pertinentes, que eu acho que outros leitores talvez também gostariam de fazer quando lêem agumas coisas que eu escrevo, principalmente o blog estando desatualizado, fica tudo meio sem contexto... (Eu estou agora realmente providenciando que tudo fique aos poucos mais contextualizado).    
    Quando terminei de responder ao comentário, me dei conta de  que o que eu escrevi era muito longo e merecia mais destaque, poderia ser  um post.
    Como eu agora não tenho tempo para retrabalhar o texto, colo aqui da forma como escrevi:


    "Oi Nina...
 
    Muito obrigada pelo seu desejo positivo. Espero mesmo logo poder desabrochar com as flores :-)
    Respondendo às suas perguntas, não volto para o Brasil porque ainda não é o momento. Se você me perguntar: "E quando será este momento?" Talvez eu não saiba exatamente te responder. Eu sinto que está chegando sim, mas tem uma coisa aqui que eu ainda quero muito fazer e não fiz, quero fazer mestrado. Acredito que quando eu tiver cumprido esta meta vou mesmo poder sossegar de vez no Brasil, ou pelo menos vou passar um tempo bem longo lá. 
    Quando eu resolvi ficar aqui me propús o mestrado como um  desafio, e ainda quero cumprí-lo, minha intuição diz que isso será muito importante para o meu futuro. Não só pelo status de um mestrado no exterior, mas também porque acredito que assim poderei me integrar melhor á comundade teatral alemã e adquirir um conhecimento mais profundo da cultura e da língua.
    Na verdade me propus também, além do mestrado, o desafio de tentar trabalhar como atriz em algum Teatro Estadual. Eu acredito que isso é quase impossível, visto que os Teatros Estaduais estão cheios de espetáculos com muito texto e, normalmente, os atores alemães sofrem uma exigência muito grande para falar alemão com muita perfeição. Penso então que possivelmente é muito difícil para um estrangeiro que não esteja vivendo aqui já há anos conseguir um papel num destes espetáculos, tem que ser algum estrangeiro muito foda. Mas mano, eu não deixo de sonhar, porque aí eu ia ter que me tornar uma atriz brasileira muito foda, falando alemão muito fodamente e ficar foda na sua profissão não faz mal a ninguém!  ;-)
    Mas agora tenho um compromisso com meu grupo de teatro, preciso esperar um pouco, tive de repensar vários projetos por conta desta oportunidade, mas ainda não perdi meu foco.Só tenho atualmente menos tempo para me dedicar a ele, mas está sendo muito bom, tenho amadurecido mais minhas idéias e perguntas artísticas.
    Preciso te dizer que já estou me sentindo um pouco melhor agora. Eu sempre me reprimi muito para escrever posts quando eu estou triste. Guardei durante estes anos vários rascunhos. No dia que publiquei este post, publiquei também com as datas originais outros posts deprês que eu estava guardando envergonhada. Eu sempre acreditei que tinha de passar somente as coisas que penso serem positivas para os leitores, que ninguém é obrigado a ficar lendo meus choramingos... Mas acredito que finalmente ter tido a coragem de mostrar também meus momentos de fraqueza publicamente me deixou mais forte, fora que fico muito envergonhada em pensar que outros estão lendo isso, e eu não quero passar a vergonha de começar a escrever somente posts derrotistas!
    Eu reli este post umas quinhentas vezes e considerei mais umas quinhentas se eu deveria apagá-lo ou não. Porque eu me conheço e sei que sou cheia de crises e, uma hora parece que tudo este horrível, aí eu choro, reclamo, rolo no chão , escrevo... me sinto ridícula, me questiono de onde isto realmente vem e plin: fico melhor! 
    Eu acabei deixando o post porque acho que realmente faz parte da vida das pessoas que estão fora do seu país momentos como este, em que tudo parece horrível e você sente falta das coisas mais banais, e chora, e se entrega ao saudosismo e à imagem do Paraíso Tropical com rede e água de coco, onde tudo é perfeito, até o nosso próprio bumbum!  Os leitores não são obrigados a serem nossos teraupetas, mas se querem saber da nossa realidade, devem conhecer este lado da vida de estrangeiro. 
    Sou sim mais feliz no Brasil, lá é muito mais fácil ser feliz para mim, tenho todas as condições ideais: família, amigos, minha língua, minha cultura, o sol, o calor, o bom humor das pessoas.... 
   Aqui é todo dia um novo desafio e, se eu vim parar aqui acredito que não foi a toa e que preciso aprender algo, me melhorar de alguma forma. E tenho melhorado sim, muito. Eu amadureci muito com toda as dificuldades, crises, aprendizados e  todas as descobertas legais que já fiz por aqui. Está sendo um grande mergulho em mim mesma e dele tenho saído cada vez mais independente e corajosa. 
    Na verdade acho que carrego comigo uma certa tristeza inerente, não importa onde eu esteja. Me lembro que no passado, no Brasil, os motivos eram outros, mas meu choramingo estava sempre lá! 
    :-)
    Que bom que  logo vem os girassóis, as flores de cerejeira... espero por elas ansiosamente! 

    Muitos beijos pra você!" 

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