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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Sobre "A falta de prazer dos alemäes"

  Outro dia aqui no trabalho (detalhe: faço teatro!) um dos rapazes alemães, reclamando porque sempre nós estrangeiros reinvidicamos tempo livre justificou: "E não vai dizer que vc passaria o seu último dia de vida relaxando na praia?" E eu disse: "Mas é claro! E de preferência com um monte de amigos cantando e dançando!" Ele respondeu contrariado: "Pois eu passaria trabalhando, produzindo" ...

 Hoje uma conhecida publicou esta reportagem no Facebook, e eu vi nela confirmada meus ruminamentos, estranhamentos e choques que as vezes tenho com os alemães.

 Tive de colar aqui:

"A falta de prazer dos alemães

Segundo pesquisa, eles estão tão preocupados em impressionar e sobrecarregados que já não sabem como desfrutar a vida


29 de maio de 2012 | 3h 02

MARIA, MARQUART, DER SPIEGEL, É JORNALISTA - O Estado de S.Paulo
Chegou um momento em que Sven simplesmente perdeu o controle. Outros membros do grupo de debate tinham descrito em detalhes como passavam as horas depois do trabalho na companhia dos parceiros e aproveitavam o fim do dia. "Tudo isso é ótimo para vocês!", disse Sven a um dos participantes. "Mas, antes de mais nada, é preciso ter essa oportunidade! Meu chefe costuma despejar algo na minha mesa pouco antes da hora de encerrar e, quando chego em casa tarde, minha mulher está furiosa porque teve de cuidar sozinha do nosso filho e das tarefas de casa." Ele diz que, diante de tudo isso, a ideia de uma noite relaxante desaparece completamente.
Talvez Sven se sinta melhor ao saber que não é o único a enfrentar esse problema.
O homem de 36 anos participou de um estudo divulgado pelo Instituto Reinhold, voltado para consultoria e pesquisa de mercado com sede em Colônia, cujo resultado revelou que 46% dos alemães dizem se ver cada vez mais privados da oportunidade de desfrutar da vida por causa do estresse do cotidiano e a sensação de estarem sempre à disposição do empregador. A dificuldade era ainda maior entre os participantes mais jovens do estudo, dos quais 55% disseram ter perdido a capacidade de se sentir bem.

Seja com relação à comida, ao álcool, às férias ou ao relaxamento - os alemães parecem não ter tempo livre para desfrutar o que quer que seja.
Na verdade, eles parecem ter dificuldade para esquecer os problemas mesmo durante o sexo. Segundo os pesquisadores, o resultado pode ser resumido da seguinte maneira: "Nosso gene da alegria mostra-se cada vez mais disfuncional - não sabemos mais como aproveitar a vida".

Imagem. Os resultados condizem com a imagem que muitos europeus fazem dos alemães da era de crise econômica, considerados trabalhadores excessivamente dedicados e incapazes de se divertir mesmo durante as férias na praia. A imagem positiva que os alemães projetavam durante a Copa do Mundo de 2006 parece ter desaparecido.
"Naquela época, os alemães realmente pareciam irradiar um amor pela vida", disse a psicóloga Ines Imdahl, do Instituto Reinhold. "Mas este clima começou a mudar a partir de 2008." Ela acredita que o problema está no fato de os alemães sentirem o peso da crise atual que envolve o endividamento e a moeda da Europa. "Isso vai além de uma simples queixa", acrescenta ela. "As pessoas têm a sensação de que precisamos vencer a crise sozinhos." Mas os alemães não sofrem apenas por causa da crise. O principal obstáculo que eles precisam superar é o próprio perfeccionismo.
Durante as horas de entrevistas individuais e em grupo, os pesquisadores analisaram as formas de prazer procuradas por 60 pessoas diferentes.
Investigaram também os resultados de uma pesquisa representativa envolvendo mil homens e mulheres encomendada pelas empresas Diageo e Pernod Ricard, do ramo das bebidas alcoólicas. Entre os participantes da pesquisa, 81% disseram que desfrutam de mais prazer após terem conquistado algo. "Como diz o ditado, os negócios vêm antes do prazer", disse a participante Wiltrud, de 61 anos.
Mas esta máxima não parece ajudar os alemães - eles parecem até se sentir pressionados a desfrutar das coisas. "As pessoas disseram com frequência que chegavam em casa após um dia estressante, mas eram incapazes de apontar se tinham realizado algo com seu tempo", relatou Ines. "Ainda por cima, as pessoas ao seu redor lhes diziam, 'Apenas relaxe'.

O relaxamento passa, então, a ser uma obrigação." Enquanto isso, as chances de se criar uma sensação de bem-estar podem ser encontradas por toda parte - uma taça de vinho, um relaxante banho de espuma, ou um agradável restaurante. Mas isso também parece afetar os alemães negativamente. "Esta fartura de opções leva muitos a se sentir pressionados, achando que precisam aproveitar tudo", diz Ines.
Ao longo do estudo, os pesquisadores conseguiram desvendar uma sequência tipicamente alemã de etapas para o desfrute, algo que chamaram de "DNA do prazer". A primeira etapa envolve a sensação de merecer algo.
A isso se segue a preparação para o tão ansiado momento de prazer, como o agendamento de um dia de tratamentos para o bem-estar. Mas então surge o grande desafio: deixar as preocupações de lado e esvaziar a mente. Somente um momento surpreendentemente positivo pode levar a uma sensação de desfrute plenamente integrada.
Mas muitos alemães parecem carecer de elementos cruciais do "DNA do prazer". Ainda que 91% dos participantes do estudo tenham dito que o prazer faz a vida valer a pena, apenas 15% foram capazes de lembrar de momentos nos quais tivessem deixado as preocupações de lado e se sentido realmente felizes.
Dois terços dos participantes imaginaram que poderiam chegar a essa sensação se fizessem algo provocador. Um exemplo? Um motociclista disse ter vivenciado um momento de êxtase ao lançar a fumaça de seu escapamento na direção do motorista de um conversível ao acelerar diante de um sinal verde.

Mas há outro fenômeno que desempenha um papel na cultura alemã do prazer - a inveja do bem estar alheio. "Muitos se perguntam como os outros conseguem ser felizes", disse a psicóloga Ines. Trata-se de uma mentalidade teutônica que também pode ser observada com relação à crise do euro. "Quando nos queixamos da alta pensão recebida pelos gregos e seu grande número de dias de férias, a dinâmica prazer-inveja certamente desempenha um papel", diz ela. Mas será que os alemães prefeririam ser gregos? "Esse tipo de coisa não é para nós", diz ela.
Talvez os alemães jamais possam chegar ao nível de relaxamento do sul da Europa, mas seria de se esperar que eles pudessem ao menos relaxar nos seus momentos de intimidade.
O estudo revelou que isso não é verdadeiro. As entrevistas revelaram que os alemães não conseguem esquecer os problemas nem mesmo durante o sexo. Muitos disseram ter imagens de filmes e anúncios rodando incessantemente na cabeça. "Isto resulta na obrigação de causar boa impressão até mesmo no sexo", diz Ines. Em outras palavras, eles se preocupam em encolher a barriga em vez de aproveitar o momento.
  
TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

Agora imagina o tédio que bate as vezes....

Um comentário :

  1. Acho q a ideologia pregada durante a 2ª guerra, de que os alemaes são os melhores exemplares da raça humana ainda é alimentada, com menos evidencia é claro.Este é um pais que so faço questão de conhecer atravez da sua "ponte", dos seu olhos. Talvez seja por isso q ele pareca as vezes, ser um lugar interessante. Nunca entendi do pq vc ter escolhido este pais, no meio de tantos...

    Um abraço "oceãnico"..!

    >>--->> Julian Carax.

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