Olá amigos e leitores,
Passados os primeiros dias de adaptação na Russilândia as coisas estão mais "normais",ou seja, eu já parei de fazer meus monólogos internos contando a amigos imaginários as coisas diferentes que vejo, digamos que já estou mais adaptada. Isso significa que foi muito bom eu ter registrado as primeiras impressões no calor do momento, até porque o calor também passou...
Pois é, do nada veio uma nuvem escura gigante e tudo ficou cinza e frio, no primeiro dia literalmente bem frio, depois voltou a esquentar durante o dia (não tanto quanto antes, foi sempre necessário ter um casaco à mão), mas continuou sem sol até hoje, quando o sol e calor voltaram fervendo os nossos miolos.
Apesar de toda a alegria de estar vivendo estas experiências, eu preciso desabafar pra vocês que as minha últimas duas semanas, que incluiram a nossa participação no FiT de BH, no Brasil e todo estes dias aqui em Perm, foram muito puxadas. Meu corpo está pedindo férias urgentemente. Hoje por exemplo estou extremamente cansada, minhas pernas dóem, minha voz está falhando, a garganta está doendo, as costas precisam de uma massagem urgente, tive que passar o dia com o imobilizador na mão porque o pulso estava doendo e para completar comi, contrariando o alerta de alguns colegas um tal de bolo de manteiga que me deixou com uma dorzinha de barriga chata. Como diríamos de onde venho: "tô só o pó da rabiola!" . Esse período do ano (junho a outubro) quando estamos em turnê e realizando nosso festival em Frankfurt é um período muito intenso, de montagem e desmontagem de cenários constante, carregando andaimes e estruturas de ferro, malas de figurino, ensaiando e ainda fazendo shows fisicamente muito fortes.... Tem que ser muito macho.
Hoje eu teoricamente teria a tarde e noite livre para conhecer mais a cidade, mas depois de desmontar até as 4:00 da manhã e acordar as 8:00 para carregar os benditos cenários de dois shows, figurinos e tudo mais no caminhão que vai levar tudo devolta pra Frankfurt, só o que fiz foi voltar para o hotel e dormir. Agora aqui já são meia noite, eu bem queria ir num barzinho tomar uma cerveja, mas abro mão de passear, prefiro escrever e pedir a breja aqui no quarto mesmo, não estou podendo me mover muito....
Mas voltando á Russia, uma coisa muito boa é que a comida melhorou bastante! Eu acho que a galera da cantina em que estávamos comendo e o festival não estavam muito bem organizados mesmo. De-repente passamos a ter várias opções de saladas sem carne, legumes, arroz integral, docinhos, e podemos comer a vontade, ufa!!! Aliás acabamos até desenvolvendo uma relação muito carinhosa com o pessoal que nos servia, ontem eles foram assistir nosso último show e hoje até tiramos foto de despedida durante o almoço.
Ina, minha colega de vida, trabalho e quarto, é bielo-russa e pela facilidade de falar a língua acabou se aproximando mais de várias pessoas daqui, inclusive de uma moça muito simpática que acabou nos levando para assistir uma peça de teatro de graça depois do nosso show antes de ontem. Depois da peça os atores nos conduziram a um tour pelo sede do grupo e conversaram conosco. Pudemos visitar o depósito de cenário, a sala de ensaio até o próprio palco montado. Fiquei sabendo que apesar de todos os prêmios que já ganharam por aí, de toda experiência que o grupo já tem eles ainda ralam muito para pagar as contas do lugar e o salário dos atores... ( parece que isso é sempre o mesmo em todo lugar do mundo....) O grupo se chama Teatp y Mocta e o espetáculo foi um texto do Gogol: Pannochka que não conhecia em português e talvez nem mesmo chegou a ser traduzido, porque não encontrei....) A encenação, num clima de horror realístico era muito simples, sem grandes cenários ou efeitos e muito exata em nos dar uns sustos tremendos em alguns momentos (todo mundo gritava, de medo, muito legal!) Os atores eram muito bons, os personagens muito bem construidos, tudo muito "convincente". Foi uma experiência maravilhosa!
Depois do teatro fomos dar uma passada no Festival. A Tenda de Festa estava fervendo. Lá tem festa toda noite para os funcionários e artistas. Apesar do cansaço eu fiz questão de pelo menos entrar lá para ver como era. Tomei um drinquisinho, posei para umas fotinhas com moça simpática que nos levara lá e ouvi minha cama me chamando. Durante todas as noites pudemos ouvir estas festas, inclusive na noite passada enquanto desmontávamos o cenário, alguns colegas estavam revoltados porque nunca podemos relaxar e ficar nos divertindo com os outros artistas, mas eu no meu terceiro ano de grupo já me acostumei e sei que este é preço de fazer o tipo de teatro que fazemos....
Continuei me surpreendendo com as moças de salto alto e roupas sexys por todo lado. Mas uma coisa curiosa é que no dia seguinte ao nosso primeiro show ficamos sabendo que pessoas do público comentaram que devíamos avisar que nosso show tem passagens muito pornográficas. Pornográficas? Algumas costas nuas e uma música com sussurros? Nosso diretor revoltado soltou uma de que andar nas ruas daqui é estar num pornô show...
E eu fiquei pensando no que diriam os russo ao verem as piriguetes brasileiras? E aquelas mulheres nada femininas da Alemanha então?! Cultura não se discute, se observa, se entende. E apesar de ser estranho para mim, eu começo a entender que esta coisa do cultivo da feminilidade e da boa aparência é mesmo uma coisa muito importante na cultura russa. Não se vê mulher desarrumada na rua, aliás as mulheres mais desarrumadas da cidade nos últimos dias fomos nós, andando por aí de conjunto de moletom, tênis e descabeladas!! (Dá uma sensação muito estranha de independência e poder por não fazer parte desta cultura, mas ao mesmo uma certa inveja ao se deparar com uma russa lindíssima e ultra sexy do seu lado...)
Aliás eu observei que boa parte das moças de sapatos altíssimos trazem um homem pela mão. Uma colega de grupo que nasceu russa mas mora há muito na Finlândia disse que é como um jogo, a mulher se veste bonita e sexy para o homem e espera dele apoio para andar na rua desta forma. Apoio até mesmo no sentido de ajudá-la a ter mais estabilidade para encarar o saltão. E eu acabei fazendo um video, em que uma moça com um salto mega grande anda com certa dificuldade de mão dadas com o namorado e num dado momento torce o pé; se não fosse a mão do namorado ela tinha caído e talvez a torção seria piór... E inclusive no meu lado na peça de teatro tinha um casal todo dengoso. Ele acariciando ela o tempo todo e ela super numas de mulher frágil falando com voz de menininha e se agarrando aos gritinhos a ele durante os momentos de susto. No fim da peça, quando fui pegar minha bolsa no chão, constatei que ela estava usando um salto algulha enorrrrme e um vestido vermelho minúsculo.... Achei bem interessante.....
No mais pude ver pedaços de alguns shows muito legais, como uma galera dançando pendurada num prédio (eu ainda vou pesquisar direitinho o nome porque estava tudo em russo e depois vou escrever um post somente sobre o festival e artistas), dividimos camarim com diferentes grupos, entre eles alguns franceses, como o Trans Express que conhecemos no México (eu acho o trabalho deles muito legail) e pudemos conhecer um pouco mais da cultura russa através de shows de música e dança que aconteceram ao nosso redor.
A nossa ajudante paqueradora andou meio sumida, aparecendo somente de vez em quando, do nada, para acompanhar nosso diretor e alguns colegos nossos para passear ou almoçar. Um dia ela se superou aparecendo pela grama do festival com maquiagem pesada, brincos enormes, baby liss no cabelo, um jeans agarradíssimo e saltão agulha pra lá de sexy (dizem os boatos que neste dia ela finalmente pegou alguém do grupo). Agora ela anda toda sorriso para as meninas também, uma simpatia.... Eu si diverti observando....
Já o garoto que estáva nos ajudando também e no começo se mostrou meio afastado e até mesmo antipático se revelou ser muito legal. Já que a colega dele sumiu bastante ele acabou ficando com a gente a maior parte do tempo e paciente nos deu toda atenção do mundo. Ele estuda inglês na universidade (como se fosse um curso de letras) e sempre teve muito interesse em aprender espanhol ( mas acabou aprendendendo mesmo foi um pouco de português comigo e Bárbara! rsrsrs)
Eu comprei um conjunto de bijouteria de uma moça que estava expondo no festival, apesar dela não falar nada de inglês ela era tão simpática! E antes de eu ir embora ela me deu de presente um dos ursinhos de pano que ela faz e disse algo que eu entendi como que era para eu guardar de recordação da Russia.... =) E diga-se de passagem: o artesanato aqui é tão lindo, e, apesar de cheio de cores e estampas é tudo tão diferente do nosso estilo latino.... apaixonante!
O público russo não é tão animado como o brasileiro (nisso o Brasil é insuperável!), mas eles também acompanharam a música com palmas em uma parte de um de um dos nossos shows e no final vieram muito sorridentes dar abraços, pedir autógrafo (veja só que chique!) e tirar fotos conosco.
Sabe, uma das coisas mais legais nestes festivais são as pessoas que a gente tem a oportunidade de conhecer, pena que boa parte das vezes sabemos que possivelmente nunca os veremos de novo... mas ainda bem que por sorte as vezes nos surpreendemos com o contrário!
Sou muito feliz por ter conhecido este lugar e estas pessoas :-D
PS: Tenho fotos e videos referentes ás coisas citadas e os postarei depois dentro deste texto mesmo...
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segunda-feira, 18 de junho de 2012
sexta-feira, 15 de junho de 2012
A situação está Russa - 1 (Festival de Teatro de Rua em Perm)
Caros amigos e leitores,
Finalmente eu estou escrevendo minhas impressões de uma de nossas viagens diretamente do calor do momento, (e bota calor nisso!). Digo isso porque já viajei bastante com o meu grupo de teatro, já fomos a vários países, inclusive já estivemos na Russia antes, mas eu ainda não consegui escrever sobre estas viagens, somente registrei tudo em muitos videos e fotos, que ainda virarão posts, nem que seja daqui 10 anos, prometo! Isso acontece porque geralmente nosso tempo é bem apertado e quando sobra um momento livre vou andar para conhecer o lugar ou descansar o corpitcho que está sempre dolorido. E o meu perfeccionismo também atrapalha um pouco, eu sempre quero fazer posts perfeitos, claros, organizados, escrevo, apago, corrijo, levo horas para escrever algumas linhas... um parto! Mas desta vez, para não perder a oportunidade, simplesmente acordei e vim direto para o computador para escrever como der na telha sobre estes últimos dias.
Estamos participando de um festival de rua, uma coisa louca, acontece numa área que eles chamam de Cidade do Festival e que está montada no centro da cidade de Perm. (em inglês tem mais informações) Tem de tudo ali, artesãos de metal, pedras, tecido, palcos com shows de música, teatro, dança, barracas de comida, piscina com área para tomar sol, ringue de patinação, parque de diversões, tenda de cinema, de chá, de recreação, cabeleireiro, todas as atrações culturais são de graça! O público anda sobre um caminhos de madeira, como ruas e todo o resto vai acontecendo em volta. Alguns artistas se apresentam sem lugar específico, numa das bordas dos caminhos. Ontem eu encontrei uma tenda em que uma artesã constrói sentada ali, ao vivo, sapatilhas de balé, destas de ponta, ela faz a sapatilha e vc pode provar e se tiver algum problema ela conserta ali mesmo na hora, achei demais! A área do festival não é tão imensa, mas acontece muita coisa. Me parece que os russos gostam mesmo destas coisas de rua, a quantidade de visitantes é grande, principalmente no fim da tarde, e é gente de todas as idades.
Esta é a página de programação do Festival, (tem até uma foto minha em cena!):
http://www.permfest.com/programm_2012/street-2012
E quanto ao calor do momento: Gente, eu nunca na minha imaginaçãozinha tive idéia de como a Russia pode ser quente! Estamos cozinhando dentro da roupa e fritando sob um sol pra lá de ardido! É exatamente como o verão brasileiro, só que mais seco. (Nestas horas até sinto falta do ventinho gelado da Alemanha...) A temperatura aqui pode variar de +37 no verão até -40 no inverno, (nós brasileiros não temos a menor idéia de como pode ser viver assim!) E o que é mais doido: neste momento em que estamos (junho) só escurece as 2:00 da madrugada! Isso mesmo, meia noite, 1 hora da manhã esta dia, parece ser 5 horas da tarde! E quando é 5:00 da manhã já amanhece de novo.
Ontem depois do show eu conversei com duas moças russas que me explicaram que em julho passa a acontecer o que eles chamam de noites brancas: não escurece! E a cidade de Perm, assim como São Petersburgo e mais uma ou duas cidades, têm as mais claras, e portanto mais belas Noites Brancas da Rússia. Eu perguntei se então no inverno eles tinham somente noite e elas disseram que não, que aqui em Perm no inverno escurece as 4:00 da tarde, como é na Alemanha, e se eu entendi bem, elas disseram que amanhece as 10:00 da manhã...
A cidade é uma mistura de coisas modernas e coisas ultrapassadas, como os prédios super modernos de alguns shoping centers e os ônibus muito velhos dos anos 70 compondo o transporte público. Tem oisas muito interessantes para ver como os imensos prédios de apartamento da época do socialismo, as típicas igrejas russas com tetos pontudos e dourados e casinhas rústicas de madeira com janelas de bordas decoradas e coloridas. Tem um rio enorme no meio e numa das margens uma praia.
Os homens aqui devem passar muito bem. Os rapazes do nosso grupo que o digam! Constatamos que nossa guia do festival por exemplo só conversava com os meninos do grupo o tempo todo, rolava o maior bate papo, e com as meninas somente o necessário, quando achava necessário. Numa destas alegres conversas ouvimos por alto ela contanto que a quantidade de mulheres aqui na Russia é muito maior que a quantidade de homens... (aham, aham... ficou tudo explicado!) E o que tem mulher sexy na rua é uma coisa fora do comum! Sem brincadeira, 90 da mulherada usa salto alto e dessas, outros 80 % se equilibra em cima de saltos agulha imensos e mal consegue se mexer em roupas ultra coladas e femininas. Umas vão para o lado mais sexy-romântica com muita renda, tecidos esvoaçantes, flores pra todo lado e claro, o saltão agulha! (Imagine, se as bixa já são grandes, ficamos umas anãs passando perto delas!) Eu não me canso de olhar e imaginar que tipo de vida elas levam, o que será que elas pensam, porque imagino que viver de roupa sexy e salto agulha não é coisa fácil não....
Então como já sabemos as russas não passam muito bem, mas as estrangeiras, principalmente morenonas e negras devem se fartar ao vir para estas bandas (atenção você morena brasileira carente procurando um loiro apolíneo!). Eu que não sou tão morena já noto a curiosidade de alguns loiros tímidos! Antes de ontem estava andando pela rua com a minha colega de grupo que é brasileira, mulata bonita de Salvador, e notei os homens virando a cabeça e quase batendo o carro de hipinotisados! (Já imaginei que se eu morasse aqui iria fazer ondas nos cabelos, torrar de tomar sol :-D)
Comer está sendo uma aventura. Pelo que parece os russos comem bem pouco por refeição.
Chegamos a esta conclusão porque tanto na vez que estivemos em Moscou como desta vez somos servidos no restaurante com um prato de sobremesa, a porção de salada vem numa tacinha de sobremesa e a quantidade de dinheiro do vale-refeição que recebemos do festival só dá para uma porção de cada coisa, ou seja, é o pratinho e a tacinha e não tem repetição, a não ser que paguemos do próprio bolso... No primeiro dia foi um choque, depois de horas no sol, montando cenário, comer um pratinho de sobremesa de arroz com vagem não é legal. Na janta então, descobrimos que a cantina onde devemos comer só cozinha no almoço, a janta é comida esquentada e se acabar, acabou. Na janta só tinha: arroz, vagem, maionese e hamburger. Eu não como hamburger e na minha vez a vagem acabou, jantei arroz com maionese, (como também já havia acontecido em Moscou ) Por sorte, uma colega de grupo que é russa deu uma idéia na nossa ajudante paqueradora de que a gente é artista esfomeado e carente e merece mais comida e cuidado, então na mesma hora um rapaz da cantina, meio contrariado fez uma salada e serviu uma tacinha de sobremesa com salada para cada vegetariano, menos mal, apesar de ainda termos ficado com fome, porque para alguns colegas também não teve arroz, só a saladinha.... No dia seguinte foi melhor, tinha mais variadade de vegetais e deixaram a gente comer mais.
Aliás a palavra vegetariano nem deve existir em russo, porque praticamente TUDO tem carne. No avião por exemplo, a salada tinha carne e as opções de refeição era carne branca ou carne vermelha, só faltou vir carne na sobremesa! (Nessas horas vegetariano sem flexibilidade, que não come o pão que tocou no presunto ou o arroz que estava coberto com o filé de peixe, morre de fome.)
Depois deste dia do arroz com maionese ou tacinha de salada da cantina, corremos para o MacDonalds e, claro, aqui não existe hamburguer vegetariano, e ainda foi dificil explicar com mímica para a mocinha espantada que só queríamos pão com salada e queijo.
Ontem depois do show fomos num primeiro num restaurante onde era impossível ler o cardápio russo e os atendentes não falavam inglês, se picamos e fomos parar noutro restaurante que só tinha churrasco com salada, nossos amigos carnívoros se esbaldaram no churrasco e na nossa vez acabou a salada, ficamos a ver porquinhos.... até que vegetarianamente esfomeados descobrimos um restaurante japonês, com cardápio cheio de fotos, caro pra caramba, mas deu para comer sushi vegetariano, macarrão e salada de alga... acho que agora estamos salvos!
O café da manhã do hotel é legal, tem cerel, yogurte, bolos. Mas o que é bem interessante é que no meio de um monte de carnes, bolinhos fritos, arroz temperado e outras coisas que mais lembram um almoço, só existe uma porção de fruta. E observamos que a galera russa come mesmo um prato cheio de frango, porco e salsinha já no café da manhã!
Coisas bem boas que eu comi até agora são: o Ayran, um tipo de yorgurte meio salgado que eu já conhecia da Alemanha, mas pensei que fosse turco e descobri ser típico russo; o chá preto com limão é uma coisa divina e que eles tomam muito; e eles tomam muito suco feito do cozimento de frutas, aí vem o suco com pedaçõs de fruta cozida no fundo, muito gostosinho.
O hotel é bem confortável, mas todos os banheiros cheiram a esgoto.
Temos bebedouros de água tanto no hotel como no festival, mas a água tem um gosto muito estranho e só estamos conseguindo tomar água de garrafinha.
Os russos em geral tem um cara bem sisuda e aparência fechada, mas são muito simpáticos e sorridentes quando se conversa com eles. Eles gostam muito de música, de dançar e falam bastante, muito parecidos conosco brasileiros. Aliás dizer que é do Brasil sempre faz eles sorrirem e arregalarem os olhos de curiosidade.
Em todas televisões que já vi ligadas, apesar de ser verão tem muitas imagens de inverno e neve, seja em novelas, filmes videoclipes, me parece que o inverno é algo muito presente na vida deles.
Ah, aqui temos 9 horas a mais de diferença do Brasil, ou seja, eu estou escrevendo do futuro!
Bem, isso é o que posso escrever agora...
Assim que possível escrevo mais, corrijo coisas aqui e acrescento algumas imagens e videos que venho fazendo.
Um grande abraço a todos!
Finalmente eu estou escrevendo minhas impressões de uma de nossas viagens diretamente do calor do momento, (e bota calor nisso!). Digo isso porque já viajei bastante com o meu grupo de teatro, já fomos a vários países, inclusive já estivemos na Russia antes, mas eu ainda não consegui escrever sobre estas viagens, somente registrei tudo em muitos videos e fotos, que ainda virarão posts, nem que seja daqui 10 anos, prometo! Isso acontece porque geralmente nosso tempo é bem apertado e quando sobra um momento livre vou andar para conhecer o lugar ou descansar o corpitcho que está sempre dolorido. E o meu perfeccionismo também atrapalha um pouco, eu sempre quero fazer posts perfeitos, claros, organizados, escrevo, apago, corrijo, levo horas para escrever algumas linhas... um parto! Mas desta vez, para não perder a oportunidade, simplesmente acordei e vim direto para o computador para escrever como der na telha sobre estes últimos dias.
Estamos participando de um festival de rua, uma coisa louca, acontece numa área que eles chamam de Cidade do Festival e que está montada no centro da cidade de Perm. (em inglês tem mais informações) Tem de tudo ali, artesãos de metal, pedras, tecido, palcos com shows de música, teatro, dança, barracas de comida, piscina com área para tomar sol, ringue de patinação, parque de diversões, tenda de cinema, de chá, de recreação, cabeleireiro, todas as atrações culturais são de graça! O público anda sobre um caminhos de madeira, como ruas e todo o resto vai acontecendo em volta. Alguns artistas se apresentam sem lugar específico, numa das bordas dos caminhos. Ontem eu encontrei uma tenda em que uma artesã constrói sentada ali, ao vivo, sapatilhas de balé, destas de ponta, ela faz a sapatilha e vc pode provar e se tiver algum problema ela conserta ali mesmo na hora, achei demais! A área do festival não é tão imensa, mas acontece muita coisa. Me parece que os russos gostam mesmo destas coisas de rua, a quantidade de visitantes é grande, principalmente no fim da tarde, e é gente de todas as idades.
Esta é a página de programação do Festival, (tem até uma foto minha em cena!):
http://www.permfest.com/programm_2012/street-2012
E quanto ao calor do momento: Gente, eu nunca na minha imaginaçãozinha tive idéia de como a Russia pode ser quente! Estamos cozinhando dentro da roupa e fritando sob um sol pra lá de ardido! É exatamente como o verão brasileiro, só que mais seco. (Nestas horas até sinto falta do ventinho gelado da Alemanha...) A temperatura aqui pode variar de +37 no verão até -40 no inverno, (nós brasileiros não temos a menor idéia de como pode ser viver assim!) E o que é mais doido: neste momento em que estamos (junho) só escurece as 2:00 da madrugada! Isso mesmo, meia noite, 1 hora da manhã esta dia, parece ser 5 horas da tarde! E quando é 5:00 da manhã já amanhece de novo.
Ontem depois do show eu conversei com duas moças russas que me explicaram que em julho passa a acontecer o que eles chamam de noites brancas: não escurece! E a cidade de Perm, assim como São Petersburgo e mais uma ou duas cidades, têm as mais claras, e portanto mais belas Noites Brancas da Rússia. Eu perguntei se então no inverno eles tinham somente noite e elas disseram que não, que aqui em Perm no inverno escurece as 4:00 da tarde, como é na Alemanha, e se eu entendi bem, elas disseram que amanhece as 10:00 da manhã...
A cidade é uma mistura de coisas modernas e coisas ultrapassadas, como os prédios super modernos de alguns shoping centers e os ônibus muito velhos dos anos 70 compondo o transporte público. Tem oisas muito interessantes para ver como os imensos prédios de apartamento da época do socialismo, as típicas igrejas russas com tetos pontudos e dourados e casinhas rústicas de madeira com janelas de bordas decoradas e coloridas. Tem um rio enorme no meio e numa das margens uma praia.
Os homens aqui devem passar muito bem. Os rapazes do nosso grupo que o digam! Constatamos que nossa guia do festival por exemplo só conversava com os meninos do grupo o tempo todo, rolava o maior bate papo, e com as meninas somente o necessário, quando achava necessário. Numa destas alegres conversas ouvimos por alto ela contanto que a quantidade de mulheres aqui na Russia é muito maior que a quantidade de homens... (aham, aham... ficou tudo explicado!) E o que tem mulher sexy na rua é uma coisa fora do comum! Sem brincadeira, 90 da mulherada usa salto alto e dessas, outros 80 % se equilibra em cima de saltos agulha imensos e mal consegue se mexer em roupas ultra coladas e femininas. Umas vão para o lado mais sexy-romântica com muita renda, tecidos esvoaçantes, flores pra todo lado e claro, o saltão agulha! (Imagine, se as bixa já são grandes, ficamos umas anãs passando perto delas!) Eu não me canso de olhar e imaginar que tipo de vida elas levam, o que será que elas pensam, porque imagino que viver de roupa sexy e salto agulha não é coisa fácil não....
Então como já sabemos as russas não passam muito bem, mas as estrangeiras, principalmente morenonas e negras devem se fartar ao vir para estas bandas (atenção você morena brasileira carente procurando um loiro apolíneo!). Eu que não sou tão morena já noto a curiosidade de alguns loiros tímidos! Antes de ontem estava andando pela rua com a minha colega de grupo que é brasileira, mulata bonita de Salvador, e notei os homens virando a cabeça e quase batendo o carro de hipinotisados! (Já imaginei que se eu morasse aqui iria fazer ondas nos cabelos, torrar de tomar sol :-D)
Comer está sendo uma aventura. Pelo que parece os russos comem bem pouco por refeição.
Chegamos a esta conclusão porque tanto na vez que estivemos em Moscou como desta vez somos servidos no restaurante com um prato de sobremesa, a porção de salada vem numa tacinha de sobremesa e a quantidade de dinheiro do vale-refeição que recebemos do festival só dá para uma porção de cada coisa, ou seja, é o pratinho e a tacinha e não tem repetição, a não ser que paguemos do próprio bolso... No primeiro dia foi um choque, depois de horas no sol, montando cenário, comer um pratinho de sobremesa de arroz com vagem não é legal. Na janta então, descobrimos que a cantina onde devemos comer só cozinha no almoço, a janta é comida esquentada e se acabar, acabou. Na janta só tinha: arroz, vagem, maionese e hamburger. Eu não como hamburger e na minha vez a vagem acabou, jantei arroz com maionese, (como também já havia acontecido em Moscou ) Por sorte, uma colega de grupo que é russa deu uma idéia na nossa ajudante paqueradora de que a gente é artista esfomeado e carente e merece mais comida e cuidado, então na mesma hora um rapaz da cantina, meio contrariado fez uma salada e serviu uma tacinha de sobremesa com salada para cada vegetariano, menos mal, apesar de ainda termos ficado com fome, porque para alguns colegas também não teve arroz, só a saladinha.... No dia seguinte foi melhor, tinha mais variadade de vegetais e deixaram a gente comer mais.
Aliás a palavra vegetariano nem deve existir em russo, porque praticamente TUDO tem carne. No avião por exemplo, a salada tinha carne e as opções de refeição era carne branca ou carne vermelha, só faltou vir carne na sobremesa! (Nessas horas vegetariano sem flexibilidade, que não come o pão que tocou no presunto ou o arroz que estava coberto com o filé de peixe, morre de fome.)
Depois deste dia do arroz com maionese ou tacinha de salada da cantina, corremos para o MacDonalds e, claro, aqui não existe hamburguer vegetariano, e ainda foi dificil explicar com mímica para a mocinha espantada que só queríamos pão com salada e queijo.
Ontem depois do show fomos num primeiro num restaurante onde era impossível ler o cardápio russo e os atendentes não falavam inglês, se picamos e fomos parar noutro restaurante que só tinha churrasco com salada, nossos amigos carnívoros se esbaldaram no churrasco e na nossa vez acabou a salada, ficamos a ver porquinhos.... até que vegetarianamente esfomeados descobrimos um restaurante japonês, com cardápio cheio de fotos, caro pra caramba, mas deu para comer sushi vegetariano, macarrão e salada de alga... acho que agora estamos salvos!
O café da manhã do hotel é legal, tem cerel, yogurte, bolos. Mas o que é bem interessante é que no meio de um monte de carnes, bolinhos fritos, arroz temperado e outras coisas que mais lembram um almoço, só existe uma porção de fruta. E observamos que a galera russa come mesmo um prato cheio de frango, porco e salsinha já no café da manhã!
Coisas bem boas que eu comi até agora são: o Ayran, um tipo de yorgurte meio salgado que eu já conhecia da Alemanha, mas pensei que fosse turco e descobri ser típico russo; o chá preto com limão é uma coisa divina e que eles tomam muito; e eles tomam muito suco feito do cozimento de frutas, aí vem o suco com pedaçõs de fruta cozida no fundo, muito gostosinho.
O hotel é bem confortável, mas todos os banheiros cheiram a esgoto.
Temos bebedouros de água tanto no hotel como no festival, mas a água tem um gosto muito estranho e só estamos conseguindo tomar água de garrafinha.
Os russos em geral tem um cara bem sisuda e aparência fechada, mas são muito simpáticos e sorridentes quando se conversa com eles. Eles gostam muito de música, de dançar e falam bastante, muito parecidos conosco brasileiros. Aliás dizer que é do Brasil sempre faz eles sorrirem e arregalarem os olhos de curiosidade.
Em todas televisões que já vi ligadas, apesar de ser verão tem muitas imagens de inverno e neve, seja em novelas, filmes videoclipes, me parece que o inverno é algo muito presente na vida deles.
Ah, aqui temos 9 horas a mais de diferença do Brasil, ou seja, eu estou escrevendo do futuro!
Bem, isso é o que posso escrever agora...
Assim que possível escrevo mais, corrijo coisas aqui e acrescento algumas imagens e videos que venho fazendo.
Um grande abraço a todos!
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